domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Malvada



Bette Davis foi uma grande atriz, com 121 filmes numa carreira que durou mais de cinquenta anos. Ganhou dois Oscars de mellhor atriz, o que é pouco como reconhecimento ao seu talento. Dizem que foi ela quem batizou o premio da Academia com o nome de Oscar, inspirando-se no nome do seu primeiro marido.

Vi ontem na TV A Malvada (All about Eve), de 1950, pelo qual recebeu uma indicação para outro Oscar. Dirigida por Joseph L. Mankievicz, faz uma extraordinária performance. Mankievicz foi um dos poucos diretores americanos daquela época com liberdade para fazer um filme como A Malvada, do qual foi roteirista e diretor.

Mesmo na limitada tela de um televisor, é impossível ao espectador desgrudar os olhos dela, no papel de uma atriz madura que sofre a traição de uma aspirante a atriz que vem a tomar o seu lugar, interpretada por Anne Baxter, outra grande estrela da Hollywood dos anos 40 e 50. Também indicada para o Oscar de melhor atriz pelo mesmo filme, Baxter não chega a conseguir a mesma força de expressão da colega com quem contracena.

Bette Davis não foi uma mulher bonita. Seus olhos redondos, meio que saltando das órbitas, davam-lhe um ar de cansaço e envelhecimento. Mas esses olhos feios, que perscrutam os rostos presentes em cena e atraem a câmera, são eles que refletem a intensidade dos sentimentos interiores de Margo Channing, a personagem a quem Bette dá vida e de quem expressa a frustração, ódio, orgulho e decepção.

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