Sentado no restaurante, acompanho a corrida das crianças. As mães parecem cansadas e incapazes de reprimir a alegria infantil que corre por entre as mesas, esbarra nos garçons e grita de forma fina e estridente. Por que nossas crianças são tão mal educadas, pergunto para mim mesmo. E olho para um gordo que come uma salada de folhas verdes.O gordo está triste, olhando as folhas verdes. Ele as corta, em pedaços pequenos, o alface, o brócoli e o agrião. Joga por cima uma boa quantidade de azeite, leva à boca uma garfada e me dá a impressão de que aumenta a sua tristeza. Dá-me uma certa vontade de consolá-lo dizendo-lhe que “o brócoli é um vegetal muito rico em Cálcio e Ferro, minerais importantes para a formação e manutenção de ossos e dentes e à integridade do sangue”, conforme li em algum lugar. Mas sei que isso não o consolaria.
Solidarizo-me intimamente com o gordo, com a sua tristeza olhando a salada verde e a sua impaciência ouvindo o alarido daquelas crianças de mães cansadas.

















