quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Salada verde

Sentado no restaurante, acompanho a corrida das crianças. As mães parecem cansadas e incapazes de reprimir a alegria infantil que corre por entre as mesas, esbarra nos garçons e grita de forma fina e estridente. Por que nossas crianças são tão mal educadas, pergunto para mim mesmo. E olho para um gordo que come uma salada de folhas verdes.

O gordo está triste, olhando as folhas verdes. Ele as corta, em pedaços pequenos, o alface, o brócoli e o agrião. Joga por cima uma boa quantidade de azeite, leva à boca uma garfada e me dá a impressão de que aumenta a sua tristeza. Dá-me uma certa vontade de consolá-lo dizendo-lhe que “o brócoli é um vegetal muito rico em Cálcio e Ferro, minerais importantes para a formação e manutenção de ossos e dentes e à integridade do sangue”, conforme li em algum lugar. Mas sei que isso não o consolaria.

Solidarizo-me intimamente com o gordo, com a sua tristeza olhando a salada verde e a sua impaciência ouvindo o alarido daquelas crianças de mães cansadas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ressurreição


Tolstoi escreveu Ressurreição, seu último romance, na virada do século XIX. O livro não é um dos mais citados desse escritor que, aos 82 anos, rico e famoso, fugiu da família e preferiu morrer como um miserável num vagão de terceira classe. Seu nome é imediatamente associado a Guerra e Paz e Anna Karenina, embora Ressurreição seja um desses livros que, apenas ele, justificaria toda a obra de um escritor.

O dilema de um homem que, na idade madura, procura redimir um erro cometido na juventude serve para Tolstoi exibir sua genialidade como artista mas também para nos provar que a estética não existe separada da ética e que, apesar de tudo, de todos os crimes cometidos e de todas as iniquidades, ainda pode haver grandeza no seres humanos. Um livro adequado ao nosso tempo sem esperanças.

Não resisto e transcrevo um dos primeiros parágrafos de Ressurreição:

«Em vão, centenas de milhares de homens, amontoados num pequeno espaço, se esforçavam por desfigurar a terra em que viviam. Em vão, a cobriam de pedras para que nada pudesse germinar; em vão arrancavam as ervas tenras que pugnavam por irromper; em vão impregnavam o ar de fumaça; em vão escorraçavam os animais e os pássaros - Em vão… Porque até na cidade, a Primavera é Primavera.»

sábado, 10 de outubro de 2009

Kim Novak


Num dia qualquer dos primeiros anos da década dos setenta, almoçando no Nino, que foi um grande restaurante de Copacabana, ví Kim Novak correr para o banheiro engasgada por um forte molho de pimenta malagueta. Ela sentara-se na mesa em frente, na companhia de Jorginho Guinle. Todas as mulheres belas e famosas que passaram pelo Rio, enquanto ele era vivo, sairam em sua companhia. Como ele conseguia?

As mesas eram muito próximas e dava para ouvir tudo o que se dizia na do vizinho. Jorge bem que tentou dissuadí-la de colocar tanta pimenta no prato do picadinho, mas ela insistiu e disse que adorava chili, estava acostumada com a do México, onde costumava passar o verão. Kim parecia gostar de comer e jogou várias colheres cheias de pimenta em cima do picadinho guarnecido com purê de abóbora, arroz, farofa e caldo de feijão.

Eu conhecia bem aquele molho e fiquei na espreita da sua reação. Muito branca, depois da segunda garfada – na primeira nada aconteceu – ela começou a ficar muito vermelha. Em seguida arregalou os olhos, jogou o guardanapo em cima do prato e correu para o banheiro.
Seu acompanhante olhou para nossa mesa e abriu os braços, como quem dizia o que eu poderia fazer?

Ela voltou quase meia hora depois. E pediu um sorvete.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Fina iguaria

Na Idade Média européia, o pão era o alimento do povo. Apenas os nobres comiam carne, fornecida pelo esporte da caça, pois a nobreza dedicava seu tempo aos jogos, à caça e à guerra. Até hoje se utiliza a palavra pão, figurativamente, para definir o alimento de maneira geral, pois era só o que se comia, se não se fosse da família de um senhor feudal.

O homem moderno, no entanto, perdeu a lembrança dos animais de onde vem a carne posta em sua mesa. Vê apenas um bife comprado no supermercado e preparado no fogão a gás.

A tête de veau, que ilustra este post, é uma das receitas mais apreciadas pelo povo francês, mas que costuma assustar o turista quando lhe é apresentada à moda do interior do país: a cabeça da vitela cozida inteira. Já nos restaurantes parisienses, o prato é arrumado na forma da arte dos grandes chefs. Quase ninguém se lembra de que os miolos, a língua e todos os outros ricos pertences vieram da cabeça de um animal sacrificado à gula dos homens.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sexo no mercado

A porno shop fica entre a igreja e o supermercado, na esquina de Nossa Senhora de Copacabana com Hilário de Gouveia. Sua localização entre estes dois ícones deve simbolizar alguma coisa, algo como a afirmação do sexo, situado entre o alimento da alma e a nutrição do corpo, entre o sublime da mensagem divina e a necessidade de comer para a sobrevivência na terra.

Os clientes disfarçam para entrar nesta catedral da luxúria que é também supermercado da lascívia. Fingem que estão andando pela avenida e de repente pulam para dentro da loja. Os homens são os que mais se escondem, ao contrário das garotas curiosas que entram, aos risos, na procura de sensações proibidas.

O sexo transformou-se numa mercadoria responsável pelo faturamento de bilhões de dólares em todo o mundo, segmentado entre o fetichismo, o voyerismo e a velha, tradicional prostituição. Canais de tv, revistas, lojas, cinema, night-clubs e o show-business são os distribuidores desse produto tão desejado, alvo de histórica repressão e que, quanto mais reprimido, mais valorizado se torna.

domingo, 4 de outubro de 2009

Amor na tarde

Ela chegou apressada e parecia nervosa. O botequim estava cheio mas ela teve sorte de encontrar uma mesa bem no meio do burburinho. O garçon aproximou-se e afastou-se quando ela abanou a cabeça. Não queria nada. Ficou roendo as unhas.

Fazia quase frio, no fim de tarde de Copacabana. A Barata Ribeiro como sempre congestionada e o desfile do povo pela calçada, os que voltavam do trabalho, os que vinham da praia, alguns turistas curiosos tentando ler o cardápio escrito na porta, alguns mais audaciosos procuravam um lugar para sentar-se.

Ela devia ter talvez uns vinte anos, continuava roendo as unhas e olhava para um lado e para o outro, virava-se, estava esperando alguém. Ele chegou enquanto ela olhava para o lado contrário ao que ele veio. Ela tomou um susto e os dois riram, ele sentou-se numa cadeira bem próxima à dela.

Eles se abraçaram demoradamente. Então os dois se beijaram. As pessoas que estavam em volta pouco prestaram a atenção naquele beijo que durou, calculei, bem uns três minutos. Foi bem no fim da tarde, no princípio da noite.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Napoleão imperador

Estou lendo Napoléon, de Pierre Norma, de onde traduzi este trecho que descreve a coroação do imperador:

Napoleão veste as insígnias imperiais e cingiu a cabeça com uma coroa de louros elaborada em ouro. Assim que toma lugar na igreja, diante do altar, numa poltrona simples, a cerimônia começa. Pio VII faz a santa unção na fronte, braços e mãos do Imperador, benze a espada e com ela cinge-lhe a cintura, entrega-lhe o cetro e se aproxima para colocar-lhe a coroa de ouro maciço modelada pela de Carlos Magno. De súbito, Napoleão o afasta, toma a coroa e ele mesmo a coloca sobre a cabeça. Um frêmito de surpresa percorre a multidão. Josefina, por sua vez, desce do trono e se dirige ao altar, onde o Imperador a aguarda, seguida das damas palacianas e de todo o seu serviço de honra; seu manto é carregado pelas princesas Caroline (Madame Murat), Julie (Madame José Bonaparte), Elisa e Louise (Madame Luiz Bonaparte), que a detestam. Seu esposo pousa sobre sua fronte uma coroa encimada por um diadema feito em diamantes. A coroação termina, Napoleão e Josefina sobem ao trono. O papa aproxima-se e abençoa o novo imperador. Um formidável grito de “viva o Imperador!” parte de todas as vozes e faz tremer as abóbodas de Notre-Dame, os músicos tocam; lá fora, os sinos dobram, o canhão troveja.

Segue-se uma festa que vai durar três dias.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mendigos

Muitos mendigos desapareceram das ruas de Copacabana, talvez porque os turistas ainda não chegaram – eles preferem o verão – talvez em busca de outros bairros mais nobres e mais ricos. Mas ainda existem os que defendem o seu ponto e entre eles se destacam a mulher elegante, o da falsa dor de dente e o da falsa paralisia cerebral.

Ela não chega a ser propriamente elegante mas, a julgar pelas roupas, dificilmente seria identificada como pedinte. Está sempre sem dinheiro para a passagem e na sua abordagem, com expressão preocupada no rosto, pede dinheiro para completar o preço da viagem de ônibus até Nova Iguaçu. Sempre nas imediações da Praça Serzedelo Correa, sua tática tornou-se conhecida nas redondezas e já não faz tanto efeito. Estaria na hora de procurar outro ponto.

No sinal de trânsito da Avenida Atlântica, com o rosto denotando enorme sofrimento, ele põe a mão no queixo e, com a ajuda da outra, balbucia um pedido. De vez em quando, para descansar o braço, troca de mão e de lado do queixo. Já o vi sorrindo e conversando, antes de incorporar a dor de dente e começar a performance.

O outro imita com perfeição um portador de paralisia cerebral. Movimentos desordenados, andar de pernas bambas e voz engrolada, sorridente e simpático. Já testemunhei seu desembaraço, ereto e elegante, desfilando num bloco de carnaval na Barata Ribeiro, abraçado a uma bonita mulata.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Luar sobre Copacabana


Névoa e gás envolvem a lua,
paredes e muros de Copacabana.
Reflexos imitam a lua, deságuam
nas línguas negras,
são estranhos animais.

Invisível-indivisível, o corpo
anda : corpos velhos sob a lua.
Os velhos passam, não são vistos.
São peixes transparentes contra a água
de outros corpos na rua.

Entre o mar e os edifícios
o areal rompe as ondas,
suja os olhos e a boca,
constrói no ar seu roteiro.
Deixa traços no caminho.

Uma noite sem mistério
ou sonho. Um homem senta-se ao bar,
aspira o hálito do tempo,
bebe ao futuro. As horas,
uma a uma, desperdiçam seus sinais.

O movimento dos vultos,
cães silenciosos, homens apagados
misturados ao trânsito da noite.
O tempo espelha sua lâmina
no refluxo das águas.

O sereno, as sombras e o silêncio
juntam-se nas esquinas das ruas
e avenidas do Leme ao Posto Seis.
Transitam além dos olhos, na alma
que não consegue adormecer.

Há um território do sono
explorado pelo mar e seus ruídos ,
habitação do medo , onde fantasmas
balbuciam sortilégios e os mortos
são aves recolhidas pelo vento .

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Yukio Mishima


Essas chuvas na primavera me trazem à lembrança o romance de Yukio Mishima – Neves de Primavera – que tem como pano de fundo um Japão ameaçado pelas influências ocidentais, perdendo suas referências culturais e sendo invadido pelo consumismo e a superficialidade.

O romance se passa na era Miji da história japonesa, que vai de 1867 a 1912 e retrata uma bela história de amor e amizade num país que perde suas referências culturais.

A elegância e a sutileza do estilo de Mishima, todo o seu conteúdo poético nos mostra como eram diferentes as formas de ver o mundo entre o Oriente e o Ocidente. Mishima, que chegou a fundar um movimento de caráter político para manter as tradições japonesas, escreveu mais de 40 livros entre romances, ensaios, poemas e peças para o teatro kabuki. Suicidou-se em 1970, cumprindo o ritual do harakiri.

Tinha acabado de escrever o último volume da série que chamou O Mar da Fertilidade, da qual Neves da Primavera foi o primeiro. Seguiram-se Cavalos em Fuga, O Templo da Aurora e, por último, A Queda do Anjo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cachaça


Marginalizada historicamente pela aristocracia, a burguesia e a melhor sociedade, a cachaça teve algum momento de glória depois que inventaram a caipirinha. Mas sofreu de imediato a concorrência do rum e, depois, da vodka, que sempre dispuseram de poderosos recursos de marketing. Voltou a ser a bebida da escumalha, dos pés-rapados, dos matutos do interior e do lumpen urbano, que sempre a tomaram pura.

Há alguns anos, com os programas de qualidade do Ministério da Agricultura, o aparecimento de associações de produtores e o cuidado geral na fabricação, ela começou uma trajetória de ascensão social e hoje já tem até lugar na pauta de exportações.

Estima-se que, se forem considerados os alambiques clandestinos, a produção de cachaça no Brasil, calculada em hectolitros, é maior que a de cerveja.

Duas regiões se destacam como produtoras de grandes cachaças: o Norte de Minas, principalmente a micro-região de Salinas, com sua terra rica em salitre, e o Nordeste, com sua cana caiana.

A burguesia e a melhor sociedade, com relutância, começam a aceitar a cachaça e também a identificar e valorizar seu terroir.

domingo, 20 de setembro de 2009

Domingo na praia


As minorias escolhem a praia para protestar contra a discriminação de que são vítimas e a Prefeitura para promover shows e demonstrar boa vontade com a população. Carros de som circulam em abertos decibéis, vendedores de picolé gritam e a garotada faz zig-zag nos skates.

Os quatro quilômetros do calçadão de Copacabana transformam-se num casbah onde tudo se vende, tudo se expõe e o barulho incomoda. Na ciclovia, bicicletas correm, ameaçam pedestres invasores do seu espaço, uma criança cái e chora. As competições de corredores de rua ocupam a pista fechada para o lazer e quem precisa de alguma forma aparecer estende uma faixa com um protesto qualquer.

As mulheres desfilam rebolando nádegas imensas, os quiosques espalham cheiro de gordura e um trio elétrico amplifica a voz de um péssimo cantor.

A praia, aos domingos, é um lugar desagradável. E ainda não começou a campanha política.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Uma geração privilegiada


O amigo me dizia que a nossa é uma geração privilegiada Quando tivemos nossa iniciação, haviam há pouco descoberto a penicilina e ficamos livres da sífilis e dos gonococos. Em plena juventude, a pílula libertou as mulheres e fomos beneficiários da revolução sexual dos anos sessenta, contemporâneos de Woodstock, dos Beatles e dos Rolling Stones.

Muitos de nós se perderam na escuridão das drogas, outros procuraram mudar o mundo. Muitos se tornaram velhos reacionários, vociferando contra tudo o que é novo.

Mas a prova de que a nossa geração teve muita sorte, dizia o amigo, é que no momento da vida em que os nossos antepassados se retiravam para uma vida de forçada castidade, foi descoberto o Viagra.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O terror como modelo


Os suicídios em série dos empregados da France Telecom revelam bem o caráter perverso do estilo de administração adotado pelas grandes empresas. O mito da eficiência e da produtividade, baseado na exploração em tempo integral do pessoal e cultivado pelos gerentes, começa a fazer as suas vítimas.

As empresas mundializadas orgulham-se de dizer que contam com milhares de empregados full-time. Isto significa que o contrato de trabalho, hoje, não respeita horários. O empregado está à disposição da empresa 24 horas por dia, sete dias por semana. O poder que sobre ele é exercido estimula o surgimento de chefes medíocres mas com atribuições de julgar, premiar, transferir, punir e destruir carreiras profissionais.

É o reinado do estresse e da insegurança, o terror como modelo de gestão de pessoas.

A ilustração é um quadro chamado Le Suicide, de Edouard Manet.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Romeo Dallaire


O General canadense que, em 1994, comandou as tropas da ONU numa missão em Ruanda, voltou para casa levando consigo um colapso emocional e a descrença na capacidade das Nações Unidas como força de paz. Romeo Dallaire (www.romeodallaire.com) assistiu, incapacitado de qualquer ação para impedí-lo, ao genocídio que massacrou 800 mil ruandenses em poucos dias, numa guerra étnica que até hoje mantém o país em permanente crise.

Depois dessa experiência, em que se viu abandonado pela própria ONU e pelos grandes países, que nada fizeram para evitar o massacre, o General Dallaire tentou por duas vezes o suicídio e conseguiu, com muita dor, se recuperar emocionalmente. É hoje um ativista da paz e candidatou-se, com sucesso, ao Senado do Canadá.

Seu livro – Shake hands with the devil – já rendeu dois filmes. É o testemunho da sua indignação e de um tempo que assistiu à falência da humanidade.

sábado, 12 de setembro de 2009

A Prado Junior


Durante muito tempo, pensei que fosse uma rua. Mas a Prado Junior é uma avenida, de longa tradição na boemia de Copacabana. Lá funcionaram o Beco da Fome e o Cinema 1 e seu nome esteve sempre ligado às moças que fazem a vida e à própria vida marginal.

Pelo menos três grandes catedrais do sexo – Barbarella, La Cicciolina e Frank’s Bar – estão nas suas proximidades. Foi lá que surgiram as primeiras boates do Rio, como Tabaris e Plaza, de fama esquecida e que se perderam no tempo.

Prado Júnior, que a ela emprestou seu nome, foi prefeito do Rio quando a cidade se chamava Distrito Federal, durante o governo Washington Luiz. Era um paulista meio aventureiro e simpático.

Nos bares da esquina da praia, reunem-se estranhos tipos de turistas, vindos dos mais diversos e distantes paises. Sempre que passo em frente, tenho a impressão de que grande parte de todos os crimes praticados no mundo são planejados alí.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Comércio na Lapa


Ele vende uma rodela de abacaxi a 0,50 e cada um rende dez rodelas, portanto cada abacaxi representa o valor de R$5,00. Como vende cerca de 50 abacaxis por dia, garante o faturamento diário de R$250, que duplica nos dias de calor, quando os clientes fazem fila.

Este é um dos pequenos negócios que movimentam a Lapa e, à noite, junto com os vendedores de bebida, churrasquinhos, acarajés, empadas e toda sorte de comida abastecem a multidão e fazem a festa do bairro. Sem contar as centenas de bares e botequins caros e baratos que transformaram a Lapa no sucesso de público que é hoje, depois de quase morrer à míngua por décadas.

Esta é a segunda existência desse bairro que foi o centro da boemia do Rio nas décadas de 20, 30 e 40 e que entrou em decadencia, quase morto, para ressurgir das cinzas e virar centro turístico internacional, lugar de paquera jóvem, corredor cultural e grande mercado para empreendedores informais, como o vendedor de rodelas de abacaxi.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Dutra


Considerada a principal estrada do país, porque liga as duas cidades mais importantes e atravessa a região mais rica, a Via Dutra encontra-se em razoáveis condições de tráfego mas não se livra dos engarrrafamentos. Principalmente nos feriadões.

A começar da saída do Rio, logo na saída da Linha Vermelha. O afunilamento paralisa o trânsito e o viajante pode acrescentar uma hora a mais no seu trajeto. A estrada está sempre a sofrer obras que, se de um lado demonstram cuidados de manutenção, de outro provocam longas filas e outros testes de paciência.

E há o tédio das estradas. A rodovia é sempre algo maçante, invariavelmente chato. E os engenheiros rodoviários do Brasil bem que poderiam aprender algo com o planejamento das estradas no chamado primeiro mundo.

domingo, 6 de setembro de 2009

A mata


No contraforte da Serra do Mar, onde estou, faz o frio de um inverno europeu. O verde das montanhas lembra a Provence e a estrada de Parati encontra-se intransitável. A estreita via foi inicialmente o caminho dos índios tamoios em direção ao mar, aproveitado depois pelos portugueses, por onde exportavam o ouro das Minas Gerais para a metrópole portuguesa.

Há um esforço da indústria do turismo para criar o mito de uma estrada real cruzando Minas, o Estado do Rio, passando por São Paulo. O trajeto de Guaratinguetá até a fronteira do Rio é de razoável qualidade mas deste ponto até Parati transforma-se num caminho esburacado, intrrompido e perigoso na época das chuvas. Mas é de grande beleza. A mata atlântica é uma presença exuberante. Pode estar ameaçada, se um projeto turístico mal orientado trouxer lixo, vândalos e trânsito pesado.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Anúncio do verão


Chegou setembro e a cidade começa a exibir os seus mais belos dias, de ceu sem núvens e temperaturas amenas. Deve chover no fim-de-semana da pátria mas a primavera se anuncia com seu sol. O Rio é uma cidade que hiberna, fica silenciosa e sonolenta de abril até setembro para ressuscitar na primavera e regurgitar no verão.

Copacabana já dá sinais de vida. Os turistas estão na praia, nas calçadas e nos botequins do bairro. Ainda estão brancos, pois o verão ainda não chegou, mas alguns começam a exibir a fina pele branca com tonalidades de vermelho e roxo.

Devemos nos preparar para o verão. O calor deste ano promete chegar aos píncaros de dezembro para janeiro e já nos esquecemos das selvagens temperaturas do verão passado. O Rio, mais uma vez, se tornará uma cidade louca.