quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O pensador


De chapéu novo e roupas limpas, aparência de quem tinha tomado banho, Marquinhos encostava-se na lixeira, talvez para se refazer do calor, quem sabe para, simplesmente, meditar. Alheio ao movimento e ao ruído, compenetrado e com o olhar parado, pensava em silêncio.

Os grupos de turistas vinham da praia no fim da tarde, jovens estrangeiros brancos, vermelhos de tanto sol e olhavam desconfiados para ele. Algumas moças vestiam seus biquinis, o que as identificava como paulistas ou mineiras, pois as cariocas se recusam a desfilar em roupa de banho e usam, na rua, o que chamam uma saida de praia.

A quarta-feira de cinzas ainda cheirava a carnaval, um odor de excrementos e urina; um ou outro passante ainda usava na roupa ou na cabeça detalhes de fantasia.

Marquinhos mergulhava em seus pensamentos, encostado na lixeira da esquina da República do Peru. Ele andava sumido. Agora, com o fim da louca festa do carnaval, volta de banho tomado e na segunda-feira, quando o bairro retomar seu rítmo habitual, estará certamente comandando o trânsito e dirigindo insultos aos motoristas e a quem mais tiver o atrevimento de passar a seu lado.
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