domingo, 7 de fevereiro de 2010

Carnaval e calor


Os blocos improvisados já começaram a desfilar pela Barata Ribeiro e criam o clima de carnaval em Copacabana. São formados por um carro com alto-falante onde instala-se um cantor, seguido por uma orquestra pobre de uns três instrumentos desafinados. E pelo séquito de uma pequena multidão em que se destacam algumas meninas que desceram das favelas do bairro. Elas vestem seus biquinis e os curtos shorts que constituem sua marca particular de elegância e sensualidade.

O cantor repete as marchinhas que fizeram sucesso nos carnavais dos anos 50. Ele canta fora do rítmo e com a voz cansada de quem já perdeu a noção das palavras exaustas de tanta repetição. As meninas seminuas procuram acompanhá-lo com suas vozes finas, esganiçadas, algumas senhoras idosas abanam-se e também tentam acompanhar o cantor.

Ninguém dança, alguns ensaiam uns poucos passos, balançam o corpo mas interrompem o movimento. O calor não anima o bloco. O trânsito está engarrafado, as pessoas chegam às janelas dos apartamentos para assistir ao desfile que se dirige, lentamente, ao Posto Seis.
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