sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Fim de tarde

Talvez tenham escolhido um bar tão movimentado como o Real Chopp, em plena Barata Ribeiro, para não tornar a conversa íntima demais. Ele falava, ela escutava e por sua vez rebatia algo que ele acabara de dizer; um detalhe da sua fala, algum argumento mal usado, um sentimento obscuro.

O fim da tarde, nas ruas internas de Copacabana, é marcado pelo barulho dos motores nos engarrafamentos da hora do rush. Talvez por isso, de vez em quando, um dos dois falava mais alto olhando diretamente para o rosto do outro. Depois ela baixava a cabeça e ele olhava para os lados sem saber o que procurava. Ficavam assim por um momento e depois retomavam a discussão.

Ela picava em pequenos pedaços o guardanapo de papel, ele mantinha as mãos nos bolsos. Havia tirado o paletó e a gravata e arregaçado as mangas da camisa para enfrentar o calor. Ela vestia uma saia simples, justa, com um paletó feminino, de acordo com a moda adotada pelas mulheres que exercem cargos executivos. Os dois copos de chope estavam quentes e sem espuma.

Em seguida ele pegou seu paletó e se levantou, deixou um dinheiro em cima da mesa junto com a conta que havia pedido ao garçon e foi embora pela Rua Paula Freitas na direção da praia. Ela ficou durante alguns momentos olhando os automóveis parados no engarrafamento. Então levantou-se, atravessou a rua e pegou um ônibus na direção do Jardim de Alah. O calor batia os 40 graus.
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