Neste fim do inverno europeu, a primavera se anuncia na
cidade de Paris com uma névoa que cobre o rio Sena, envolve os monumentos e
aumenta a sensação de frio. Os turistas fotografam a bela cidade envolta nessa
atmosfera cinza e poucos se dedicam a imaginar a origem dessa paisagem de
sombras sobre o rio e as ruas tão cheias de história.
É uma nuvem de poluição. A sujeira da atmosfera que provoca doenças respiratórias, penetra olhos e narizes e irrita a garganta
dos que vivem ou visitam esta cidade. As autoridades refletem e prometem
medidas que vão do controle dos automóveis, incentivos a carros elétricos, andar
de bicicleta e tornar gratuito o transporte público.
As grandes cidades estão cada vez mais parecidas. Tornam-se
lugares onde viver é perigoso e as ameaças cercam os habitantes. Desde o ar
sombrio e sujo e a violência provocada pelas desigualdades sociais ao
complicado exercício de se locomover no trânsito congestionado e agressivo. A
cidade foi uma solução encontrada para aumentar a produção e o consumo da
humanidade, na ilusão de que este seria o
destino dos homens. Mas estamos assistindo ao enterro das metrópoles.
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