terça-feira, 10 de março de 2015

Contradições

Com o passar dos anos, vem uma certa consciência de como é falho o julgamento que fazemos de nós mesmos e dos outros. Olhando no tempo, tantas apostas foram feitas e tantos erros cometidos. Há pessoas em quem confiávamos que se transformaram em decepções dolorosas.

E quanta gente de quem nada esperávamos que nos surpreenderam em comportamentos nobres, revelados em compaixão e solidariedade. Cada ser humano é uma incógnita, um enigma que muitas vezes não se revela nem diante de si próprio. Nunca sabemos de que forma vamos reagir diante de uma situação limite, pois não nos conhecemos em nossa mais profunda intimidade.


Há os que traíram a si mesmos, adotando comportamentos que jamais aprovariam no passado. E os que abandonaram suas crenças, condenando na maturidade o que defenderam na juventude. Quando Fernando Pessoa disse “se me ainda amas, por amor não ames, traíras-me comigo”, definiu também as contradições que nos acompanham.
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