terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Araguaia

Os molinetes eram preparados antes de o sol nascer e às quatro horas da manhã já estávamos a postos no Xavantino, o generoso afluente do grande rio. O cacique José Miguel, da tribo Tapirapé, nos acompanhava mas preferia ficar em cima de uma pedra e pescar com arco e flecha. Com admirável precisão, raramente perdia um lance.

Nós também, embarcados, depois de alguns arremessos de treino, costumávamos acertar os tucunarés na sua hora de pasto, quando a aurora começava. Às dez da manhã, o sol já estava forte e abríamos as primeiras latas de cerveja. Ao meio dia, aportávamos na sombra e assávamos alguns peixes para o almoço. Só poderíamos voltar a pescar no fim da tarde porque o sol era forte e o calor imenso.


O Araguaia é um rio de paisagens belíssimas. Seu nome significa Rio das Araras Vermelhas, na lingua tupi. Nasce na divisa de Goiás e Mato Grosso e no Pará encontra-se com o Tocantins. Tem sofrido com a ocupação desordenada e com a Hidrelétrica de Tucuruí, que impede a desova dos peixes. Mas havia peixes, havia manhãs naquele tempo.
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