domingo, 31 de maio de 2015

Retorno


A janela mostra a rua

e no coro das calçadas

crianças desafinam

cânticos de medo.



O sol e a tarde mostram seu perfil noturno:

espumas poluídas, nuvens amarelas,

faca abrindo as vísceras das aves de agouro

e a face entorpecida de um céu parado.



Sonho inumerável, chão de moscas,

vermes te subindo os pés em busca do teu sexo.

Estás sòzinho em noite atribulada

e uma mulher te faz perguntas sobre a morte.



Caminhas em rota de abismos

perscrutando intemporais silêncios.

Indagas a ti próprio: até quando a escuridão

vai banhar a alma dos aflitos?
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