sábado, 23 de maio de 2015

Um abismo

Existe a crença otimista de que caminhamos para um mundo melhor e no final o Bem e a virtude hão de prevalecer. Depois da primeira guerra mundial, a Europa e todos os países acreditaram que aquela tinha sido a guerra que acabara com todas as guerras. Quando terminou a segunda, todo mundo acreditou também que seria a última.

A miséria humana, no entanto, mostra-se infinita e presente nos conflitos, nas dolorosas fugas de populações, nos massacres e na perseguição dos aflitos. A humanidade expõe sua desumanidade no abandono dos desesperados que tentam a fuga do inferno e despencam no abismo além da condenação.


No teatro do absurdo, vaga a maré humana pelo mar na busca das fronteiras da salvação. Nenhum país a deseja. A Ásia lhe dá as costas, o Oriente a ignora e persegue, a Europa, herdeira da civilização, promove no mar a morte dos fugitivos e pretende metralhar seus barcos. Assistimos à falência da humanidade durante o café da manhã.
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