sábado, 27 de dezembro de 2014

Fim do ano

O sol envolve os desatinos do bairro. Parece não se importar com as sementes de violência ampliadas pelo verão. Praia cheia, ruas apinhadas, turistas e pivetes disputam espaços, uns vigiando os outros num país onde se tem medo das crianças.

As estações do metrô desaguam multidões suadas portando cadeiras de praia, pranchas e isopores carregados de cerveja, comida e água. O trânsito confuso antecipa o resto deste verão, os botequins estão ocupados por gente ensopada e barulhenta. À noite, as garotas e garotos de programa encostam-se nos automóveis à espera dos clientes.


Dezembro com seu sol. As altas temperaturas parece que enlouquecem as pessoas, elas começam a esperar o réveillon aglomerando-se na faixa de areia, serpenteiam movimentos. Tudo é motivo de festa e comemoração, mesmo o fim de um ano inútil, violento, trágico, sub-reptício. Não tenho tanta certeza, mas me dá a impressão de que as mulheres estão mais gordas.
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