quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Escrever

Quem exerce uma atividade criativa, a literatura, por exemplo, é perseguido por um pesadelo: o de secar e não ser capaz de voltar a escrever. Todos os escritores escrevem porque sentem necessidade. Não é para ganhar a vida, mas para dar-lhe um sentido, justificá-la e compreendê-la.

O medo de secar convive com outro que é permanente, a dúvida sobre o que escreve. Será que é bom? Tem alguma qualidade? Mas assim mesmo inseguro o escritor prossegue em seu ofício. É como disse o colombiano Juan Gabriel Vásquez: um verdadeiro escritor seguirá escrevendo apesar da rejeição, da incompreensão, da crítica destrutiva e de qualquer outro obstáculo porque não pode não escrever.


Dizem que Hemingway matou-se ao sentir que não voltaria a escrever, depois do grande esforço para terminar “O Velho e o Mar”, sua obra-prima. Edgar Allan Poe, sem conseguir escrever, consumiu-se na bebida, sobrevivendo dos trocados que ganhava declamando “O Corvo” nas tabernas americanas. São dois, entre tantos, vítimas da maldição do destino que perdeu seu sentido e a razão de ser.
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