quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Tarde de primavera

A moça na cadeira de rodas faz esforço para vencer os ressaltos e fendas no calçamento de pedras portuguesas. Penso em como são perfeitas as idênticas calçadas de Lisboa e como elas são precárias em Copacabana. Passa de bicicleta, em velocidade, o homem com o gato amarelo agarrado em suas costas. Ele e o outro, o que carrega um pássaro no dorso, repetem o mesmo desfile todas as tardes.

O dia de primavera parece ser propício também ao diversificado desfile das mulheres, algumas vestindo abrigos de frio, outras em pequenos shorts anunciando o próximo verão. Marquinhos, o maluco, segue discretamente com o olhar a moça de pernas bonitas que move os quadris num rítmo suave e quase provocante.


Foi quando o automóvel cinza atropelou o viralatas amarelo que tentava atravessar a rua. O cão ganiu, tentou levantar-se mas suas patas não obedeceram. Outros automóveis passavam em velocidade, alguns desviavam-se do cão atropelado, outros freiavam e Jorge, segurança do botequim,  atirou-se no trânsito e conseguiu arriscadamente trazer o animal nos braços. Foi um gesto pequeno mas suficiente como testemunho da grandeza humana.
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