domingo, 19 de outubro de 2014

Noite

Fugitivos de presságios, fantasmas, alucinações, os passos vindos da noite ecoam nas manhãs. Desde a infância dos homens o temor da escuridão representa cegueira, perdição e fronteiras fechadas para rotas de fuga inalcançáveis. O desespero dessa solidão conduziu o homem à procura de Deus, nos albores da sua história.

Fugir da escuridão em busca da luz criou a adoração do Sol, a primeira divindade, sublimação do resgate após uma noite sombria e absoluta. E a metáfora de um único dia como representação da vida: o nascimento como os raios de uma aurora sangrenta, a manhã radiosa e o entardecer da velhice anunciando a chegada da mortalha da noite.


A comparação entre morrer e dormir assinala a busca de entender o ciclo da vida em seu final. O corolário dos sonhos como franjas de felicidade em uma vida paralela e dos pesadelos como representações do horror que nos assombram. Após vencer as madrugadas, outro ciclo de vida recomeça, repete os dias e conduz na direção do eterno e do finito.
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