quarta-feira, 23 de julho de 2014

Na paz

Depois da enorme agitação em que viveu durante os jogos de futebol, invadida por argentinos e outros alienígenas, Copacabana parece ter voltado ao repouso da sua preguiça. Quase na paz, não fossem os pequenos roubos de que vivem as crianças de rua, os preços assustadores e alguns barulhos noturnos que parecem tiros disparados no olho da madrugada.

Tenho estranhado a ausência de Marquinhos, o maluco, que sumiu da rua. Talvez o tenham internado de novo mas em breve ele deve reaparecer de banho tomado e barba feita. A praia continua movimentada sob este frio sol de inverno no qual as meninas estrangeiras até conseguem avermelhar a pele branca.


No princípio da manhã, o homem que espera a filha sair do colégio fazia palavras cruzadas no banco da pracinha, esperando o tempo passar. O garçom do botequim me disse que por ação da ex-mulher ele está legalmente proibido de se aproximar da menina. Costuma de vez em quando esperá-la na saída das aulas, abraçá-la e acompanhá-la até o ponto de ônibus. Depois da partida ele fica de pé no meio-fio enquanto acena um prolongado adeus.
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