quinta-feira, 17 de julho de 2014

Memória

Mais que sangue, jorram as lembranças

dos olhos feridos a lâmina de faca.

Tudo o que a retina percebeu nas noites

debruçadas sobre anêmonas do mar.



Silente, o gume de afiados ritmos

trespassou limites demarcados

na cadência dos surdos, película

transparente e fina, repetida em eco.



A noite aproximava a espera de outro dia,

outras brisas salpicando o embarcadouro inútil,

solitário em abandono, imóvel, transfigurado

na visão das marés imundas da vazante.



O lodo e o horror do mar nos perseguindo.

Secreções de peixes, barcos, afogados.

O clarear da aurora misturando a noite

a um dia qualquer de estações tão frias.


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