terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vigiados

Estamos sob vigilância e nenhum dos nossos gestos e ações passarão despercebidos pelo olho que tudo vê. São câmeras escondidas, vigias e seguranças nas ruas, lojas e prédios da cidade. A vida perde sua singularidade  e recato e se transforma no objeto em que tudo é revelado.

O anonimato permitido pela grande cidade, em que vivem e transitam multidões sem rosto, cedeu lugar a uma rede de imagens armazenadas sobre os movimentos de cada um. A comunicação entre as pessoas passa por controle de um interesse difuso na internet, no telefone ou na conversa das esquinas.


A própria escuridão onde se escondiam os fugitivos foi desvendada pelos instrumentos de visão noturna. Nenhum disfarce é capaz de proteger as sombras e o homem pós-moderno sente-se incapaz de se refugiar em sua própria solidão.
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