terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Cordel

Exímios versejadores, os poetas do cordel improvisam a descrição de um mundo particular. Como dizem os argentinos sobre o tango, se algo existe que os poetas do cordel não cantaram é porque não existe. Herdeiros de uma tradição que vem do fim da Idade Média, os cantadores passaram por Portugal mas foi no Nordeste brasileiro que desenvolveram seu talento, encontraram seus temas e consagraram a  poesia do povo.

Os poetas eruditos não conseguem viver do que escrevem, mas os poetas populares do cordel, como Leandro Gomes de Barros e João Martins de Ataíde, sobreviveram do que produziram e divulgaram.

Os versos possuem regras rígidas a obedecer. Entre os vários estilos, o mais difícil, a meu ver, é o “galope a beira mar”. Tem onze sílabas e um ritmo de galope que desafia a criatividade do poeta. A estrofe tem de terminar dizendo “na beira do mar”.

Dois exemplos:
Cantor do lamento da água da fonte
que desce ao açude e lá fica a teimar
com o sol e com o vento, até se finar
no último adejo da asa sedenta,
que busca salvar-se da morte e inventa
cantigas de adeuses na beira do mar.

                        Eu quero nos mares viver e sonhar...
                        Bonitas sereias desejo pescar,
                        Trazê-las na mão pra Raimundo Rolim,
                        Pra mim e pra ele, pra ele e pra mim,
                        Cantando galope na beira do mar.

(José Alves Sobrinho)
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