terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Madrugada

Andar, passear nas ruas de madrugada, quando diminuem os barulhos e as sombras dramatizam os recantos mal iluminados. Quase todos os botequins estão fechados, um ou outro ainda se destaca pela luz que jorra da porta escancarada. O Cervantes, na Prado Junior, lava o chão para encerrar às quatro horas em ponto o expediente do dia. Um único cliente está encostado no balcão diante de um copo de chope.

A praia está deserta, dá para enxergar aqui e ali, protegidos pelo calçadão, alguns moradores de rua que dormem na areia. Pequenos bandos de  crianças que se recolheram aguardando o dia seguinte. Com o retorno do sol, voltarão ao arriscado trabalho de assaltar os turistas.


As prostitutas quase todas já encerraram a faina da noite. Apenas uma negra, de saia muito curta e muito justa, acena para os carros e exibe o corpo bem torneado. Uma névoa se adensa pela praia, Copacabana exibe um ar de quietude, de distância e de erma solidão. O som das ondas de vez em quando quebra o silêncio, um vira-lata amarelo atravessa com tranquilidade a Avenida Atlântica e vai se aninhar debaixo de um banco. Tenho a impressão de que já o vi antes, na companhia de um mendigo velho e magro que anda desaparecido das ruas.
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