terça-feira, 1 de novembro de 2016

Desafios



O homem, dizia Doka, só se revela diante da derrota. Os vencedores deixam-se dominar pelo delírio e sentem-se como escolhidos pelas divindades. Afastam-se de si mesmos, ao contrário daqueles que conhecem a realidade e seus caminhos sem retorno. Os que se sentem vencedores esquecem-se de que a vida é uma guerra sem fim. Há momentos em que assume aparência de vitória, em outros conduz ao espelho que reflete apenas os conflitos e as esperanças perdidas.

Dizia ele, Doka, que às vezes levantava-se com o sentimento otimista dos que ganharam a luta contra os desafios da vida. Mas em outros momentos não conseguia libertar-se do sentimento trágico que afinal acompanha todos os viventes. O sentimento de desesperança que antecede o mergulho dos afogados. E citava um texto de Hemingway que ele próprio traduzira:

“Aos que trazem muita coragem a este mundo, o mundo quebra a cada um deles e alguns ficam mais fortes nos lugares quebrados. Mas aos que não se deixam quebrar, o mundo os mata. Mata os muito bons, os muito meigos, os muito bravos – indiferentemente. Se você não é um deles, fique certo de que o mundo também vai lhe matar, mas sem nenhuma pressa especial.”



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