sábado, 21 de fevereiro de 2015

A alma

Quando descobriu que existia algo misterioso na mente humana – e o chamou de inconsciente – Freud estava na verdade descobrindo a alma. Não a alma imortal das religiões, que sobrevive ao corpo e se torna infinita, mas a vida paralela, invisível e atemporal, que muitas vezes toma para si o leme do nosso destino.

Este ser inconsútil, tão abstrato quanto o pensamento e de tão absoluta presença nos sentimentos da vida. A certeza da sua existência não foi bastante para o revelar pois permanece desconhecido, misterioso, detentor do medo sem razão de ser, dos mistérios da paixão e dos impulsos irracionais. Sua aparição súbita muitas vezes traz consigo as alucinações da loucura.


É ele que nos conduz como um guia às vezes cego, muitas vezes iluminado. Nas emoções que nos perturbam e cuja causa não compreendemos está presente a sua revelação. Costumamos sofrer por motivos que em nós se aninharam na infância mais remota, cuja memória não mais possuímos. Mas para o inconsciente não existe tempo e sua lembrança não se apaga nunca.
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