As ruas amanheceram cobertas de folhas misturadas com areia
e uma espécie de lixo amarelo e feio. Uma mulher dirigiu a outra um comentário
sobre a paisagem, que lhe parecia o fim de uma batalha da terceira guerra
mundial. Árvores caídas pioravam o trânsito habitualmente caótico.
À noite, o vento varrera e semeara as ruas, revolvera a
praia do Leme ao Posto Seis, expulsara os notívagos dos bares e mandara mais
cedo para casa as garotas que fazem o “trotoir”. Os moradores de rua procuraram abrigo debaixo
das marquises, enrolados em velhos cobertores e abrigados em caixas de
papelão.
Uma noite longa e ruidosa cobriu o bairro com o cinza cor de
chumbo das rajadas de chuva. Há lembranças dos desastres que ameaçam as
encostas, um espectro de medo nesses dias em que Copacabana hiberna à espera do
próximo verão. Marquinhos, o maluco, parado na esquina da República do Peru,
olhava paralizado e mudo o rastro deixado pela tempestade noturna.
Nenhum comentário:
Postar um comentário