sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Tempestade


As ruas amanheceram cobertas de folhas misturadas com areia e uma espécie de lixo amarelo e feio. Uma mulher dirigiu a outra um comentário sobre a paisagem, que lhe parecia o fim de uma batalha da terceira guerra mundial. Árvores caídas pioravam o trânsito habitualmente caótico.

À noite, o vento varrera e semeara as ruas, revolvera a praia do Leme ao Posto Seis, expulsara os notívagos dos bares e mandara mais cedo para casa as garotas que fazem o “trotoir”.  Os moradores de rua procuraram abrigo debaixo das marquises, enrolados em velhos cobertores e abrigados em caixas de papelão. 


Uma noite longa e ruidosa cobriu o bairro com o cinza cor de chumbo das rajadas de chuva. Há lembranças dos desastres que ameaçam as encostas, um espectro de medo nesses dias em que Copacabana hiberna à espera do próximo verão. Marquinhos, o maluco, parado na esquina da República do Peru, olhava paralizado e mudo o rastro deixado pela tempestade noturna.
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