sábado, 27 de setembro de 2014

Amor materno

Até o século XIX as mães não amavam os filhos. A idealização do amor materno é muito recente. Antes, as mulheres tinham muitas crias que morriam ao nascer e elas procuravam se distanciar das sobreviventes. Seria preferível mantê-las longe de si, às vezes pagando a uma ama de leite, do que sofrer com sua morte precoce. As crianças morriam muito cedo numa época em que uma vida longa não passava dos trinta anos.

As que não morriam cresciam solitárias, às vezes criadas por mulheres sem os laços da maternidade, numa atmosfera propícia à infelicidade. Esta solidão levou Freud a investigar o inconsciente e formular sua teoria, uma das grandes construções da inteligência humana.


O desamor está na raiz do ódio, do desprezo profundo, do sofrimento e da vingança cega. O bicho humano tinha desde sempre necessidade do amor que lhe foi negado pela mãe, pois ela própria se defendia da dor de amar uma criança que nascia estigmatizada e condenada à morte.
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