quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Leo


Este é um poema sobre o tempo quando Leo estava vivo.
É sobre despedidas, acenos de afogados
no horizonte das águas.

Cansáramos de amar as coisas simples.
O interesse da vida refletia apenas
indiferença em face do destino.

As lembranças haviam-se perdido no silvo
das locomotivas dos trens da Great Western.
Enredaram-se nas cercas,
apagaram-se no corpo adolescente.

Em noite construída pelo vento,
um rosto nos olhava da janela.
A chuva espraiava tédio e náusea,
o pensamento envolto na memória.

O mundo conduzia seus atores
- dupla face de comédia e drama-
em palcos instalados sobre a vida
em busca da palavra.
  
Rente aos aveloses,
aveludado pelo vento ao fim da tarde,
o mesmo rosto ainda olhava
e se entregava a seu tormento.

A tarde, revolvida pela noite,
construía formas de esperança.
O inconsciente resvalava a eternidade
e o breve instante da vida

se enlaçava em seu momento.
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