domingo, 24 de agosto de 2014

O acaso

Antigamente eu acreditava que a História é uma consequência de fatores sociais como a luta de classes, a ascensão da burguesia ou do proletariado determinando o andamento do mundo. Mas hoje penso que a História e a própria vida humana são produtos do acaso. Não creio no destino nem nos desígnios de Deus. Mas o acaso determina o futuro.

Mallarmé, no seu famoso poema, disse que “Un coup de dés jamais n'abolira le hasard”, em português "Um lance de dados jamais abolirá o acaso". O poema, escrito em 1897, é lembrado pela sua forma gráfica que subverteu o modo de apresentar a poesia no papel em branco. Mas é um verso que dá a verdadeira dimensão dos acontecimentos sem causa.


A ocorrência do acaso transforma a lógica dos acontecimentos. Da descoberta do Brasil, que teria sido um acaso, até um involuntário pênalti num jogo de futebol determinando a partida. A sorte e o azar, o nascimento e a morte, a doença e a saúde, o resultado das batalhas e mesmo a paixão amorosa são todos produtos do acaso.
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