quinta-feira, 3 de abril de 2014

Hugo

Estavamos juntos em nossa passagem para a adolescência. E juntos vivemos as primeiras aventuras da existência, curiosos, surpreendidos, alegres ou mergulhados na dor sem fim e sem causa dessa estranha fase da vida. O tempo nos manteve juntos mesmo habitando cidades distantes. Quando nos víamos continuavamos a conversa interrompida pela separação. No mesmo rítmo, na mesma inquietação.

Recebi hoje a notícia da sua morte. Nunca estaremos preparados para morte, a maior das perdas, a mais dolorosa despedida, o repentino vácuo onde o vazio dilacera as almas. Carlos, que me trouxe a notícia, lembrou o poema de Auden: “Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come. “

E eu me lembrei de um poema de Edna St. Vincent Millay, que há muito tempo traduzi: “mais preciosa era a luz em teus olhos do que todas as rosas do mundo”. Sua memória é de poesia junto com o bom humor e a alegria que ele sempre irradiava.


Até breve, amigo Hugo.
Postar um comentário