segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cidades

A cidade onde nasci não existe mais. Enormes edifícios construíram uma muralha, ao lado dela largas avenidas rasgam o que restou de paisagem. As estatísticas de violência urbana cresceram sufocando a paz  em que foram vividas infância e adolescência.  Já não pertenço mais à amena província onde cresci.

Também não sou daqui, desta cidade onde vivo, porque as raízes não se fincaram no chão. Existe uma atmosfera de gazes e de sons estrangeiros, diversos modos de falar e de entender o mundo, parcos cumprimentos, uma guerra nos bairros da periferia. A morte espreita a vida.


À noite sopram ventos sem origem, peixes morrem fora d’água, nuvens constroem um céu de chumbo e os homens avançam em luta contra a natureza. É uma cidade de mitos cultivados, crenças difusas, tempestades perfeitas. Habitada pelo medo, onde grupos de crianças andando na rua podem significar uma ameaça sombria.
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