sexta-feira, 11 de abril de 2014

Bem-te-vi

Acordei com um bem-te-vi cantando em minha janela. O sol acabara de nascer e uma névoa tentava mas não conseguia esconder a sua luz que era suave àquela hora. Um vento frio soprava do mar para as ruas de Copacabana. Um dia de outuno, deste outono estranho em que não chove, as folhas não caem e a fumaça dos automóveis condensa-se nos engarrafamentos que hoje fazem parte da paisagem urbana.

Os bem-te-vis são aves espertas, adaptáveis a qualquer ambiente, sobreviventes em qualquer tempo. Seu forte canto me acorda neste bairro onde a natureza encontra-se ferida pelos maus-tratos que recebe mas insiste em prevalecer.


Os índios tupis a chamavam de “pitanga guassu”  - pitanga grande - e na Argentina lhe dão o nome de “bichofeo”. Como chamar uma ave como o bem-te-vi de bicho feio? Ele pode ser visto em quase todos os países, é um dos melhores distribuidores de sementes pelo mundo e hoje, bem cedinho, pousou em minha janela e me despertou com as três sílabas  inconfundíveis do seu canto.
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