quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A cerimônia do adeus

Ela está recolhida, quase se esconde pelos cantos da casa e praticamente parou de comer. Bebe muito pouca água e a veterinária, apalpando seu corpo, diagnosticou um tumor. Ela emagrece rápidamente. Só depois de fazer uma ultrasonografia, a doutora poderá dizer mais alguma coisa e o que poderá ser feito, se algo poderá ser feito.

O procedimento não deve ser diferente de uma cirurgia e mesmo assim o resultado é difícil de se prognosticar, pois uma cirurgia é algo muito invasivo e violento numa criatura tão pequena. E tão frágil e sem defesas diante dos males do mundo.


Ela me acompanhava todo o tempo pela casa, estava em todos os ambientes para aonde eu me movia. Ao me ver de saida, pedia comida, como se procurasse se proteger da fome durante a minha ausência. Agora,  num dos cantos da casa, me olha à distância, me acompanha com o olhar e em seguida fecha os olhos na busca do sono que talvez lhe traga alivio da dor que pode estar sentindo.
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