sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A cerimônia do adeus (2)

Linfoma. Uma palavra feia, de som anasalado, que se fecha em pronúncia soturna, num eco de maus augúrios. Ela voltou do veterinário com esse diagnóstico mas não há possibilidade de cirurgia. Localizado nos intestinos, o tumor tende a crescer e não há o que fazer a não ser evitar a dor com analgésicos e outros remédios que combatam a inflamação.

A medicação parece lhe ter aberto o apetite, pois comeu um pouco mais e balança a cauda como costumava fazer para demonstrar curiosidade ou bom-humor. Olha para nós à distância, sem se aproximar, como os gatos costumam fazer quando estão doentes.  Eles são bichos que protegem sua intimidade e não são dados a derramar emoções, como fazem os cães.

Seu olhar não revela medo, como aquele olhar entre assustado e melancólico que vi, em ocasiões muito tristes, em algumas pessoas doentes que iriam morrer.  Temos agora de acompanha-la até o fim, procurando fazer o melhor para o que lhe resta de vida, se isto for de alguma forma possível. E enquanto brilhar, preciosa, a luz em seus olhos que são tão belos.


4 comentários:

Roberto Bozzetti disse...

Celso,
que texto triste, doído, verdadeiro demais, de quem conhece bem a alma dos gatos. Dói também em quem também já conviveu muito com eles e passou por situações análogas. Compartilhei essa triste beleza no Facebook.
Um abraço

Helô Lima disse...

Belo e comovente. Que ela tenha uma passagem tranquila.
Helô

Fabio LM disse...

Realmente triste... eu já passei por algo parecido com a minha gata no ano passado... infelizmente ela se foi.

Carlindo Costa disse...

Celso, segue meu abraço e a solidariedade nesse momento tão triste.