terça-feira, 19 de julho de 2016

O amor



É difícil explicar o amor. Camões disse que é uma ferida que arde sem se ver. Shakespeare o definiu como beleza, bem, verdade. Vastidão de emoções que confunde o entendimento humano, centenas de definições foram enunciadas mas delas fica sempre a sensação de que estão incompletas. E permanece o abismo entre o sentir e o entender.

Aristófanes, na Grécia antiga, durante um jantar que Platão descreveu segundo depoimentos que ouviu de quem estava presente, explicou o amor. Num passado distante, os seres eram inteiriços. Tinham quatro braços, o mesmo número de pernas, dois rostos numa mesma cabeça. Eram poderosos e valentes. Desafiaram os deuses e foram castigados.

E divididos. De cada um surgiram duas partes com metade das pernas, dos braços, uma cabeça e um só rosto. Separadas uma da outra, as duas partes procuram até hoje se achar. Ansiosamente, desesperadamente, na angustiada busca uma da outra. Às vezes durante toda a vida. Muitas não conseguem jamais se encontrar mas há outras que ao ver reconhecem de imediato a parte que os deuses lhe tomaram. E ambas voltam a se unir com a intensidade de todos os sentimentos humanos. É isto o amor, disse Aristófanes.
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