quarta-feira, 13 de julho de 2016

Luares




Cheguei muito tarde num mundo muito velho, disse Arthur Rimbaud. Ele tinha menos de vinte anos quando teve essa revelação. O cansaço paira sobre as nuvens do passado, o desejo da vida avança por dentro de sensações esquecidas e algo nos diz que o tempo também envelhece e confunde o olhar sobre as coisas findas.

Esquecemos quem nós somos e contemplamos a primavera de um país outonal. O odor de chuva na memória de um provinciano desterrado no tempo, nas esferas de um universo confuso onde os extremos nunca haverão de se tocar. Há vida, no entanto. E a vida se arrasta como um lagarto ferido.

Uma paisagem deslumbra os passageiros de um trem acomodado em seus trilhos, incapaz de avançar além de seus limites. Uma velha admira-se com tanta vida em volta, tanta espera de alguma coisa que jamais virá e a luz se apaga no espaço entre as paredes sombrias. Um cão late no escuro, desfazem-se as nuvens, uma criança chora amedrontada entre as sombras. Alphonsus vê um luar velho cair sobre o silêncio.
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