terça-feira, 7 de junho de 2016

Clandestino




De uma pequena van sem qualquer identificação, desce o entregador e se dirige ao botequim. Em seus braços, algumas poucas embalagens descaracterizadas. Vejo que se trata da distribuição de cigarros. Existem poucos fumantes, hoje, em comparação com um tempo não tão distante. Mesmo no botequim onde o entregador faz a entrega é proibido fumar.

O fumo foi levado à Europa pelos descobridores que aprenderam a usá-lo com os indígenas do Novo Mundo. Por mais de quinhentos anos proporcionou ao mundo prazer, elegância e charme. Enormes, poderosas empresas se criaram com o plantio de tabaco, a fabricação e a venda de cigarros em belas embalagens. O marketing vendia mais do que prazer. Prometia um estilo de vida de acordo com o desejo e as emoções do fumante.

As grandes marcas investiam somas imensas em publicidade porque o retorno em vendas era garantido pelos novos contingentes de consumidores que entravam no mercado. Eram adolescentes que compravam o estilo de vida dinâmico, esportivo e prazeroso que lhes era prometido. Sem publicidade nem as antigas e belas embalagens, que hoje ameaçam doenças horríveis a quem fuma, o cigarro é um produto amaldiçoado, clandestino e proibido. Para onde foi desterrado o prazer?
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