terça-feira, 24 de maio de 2016

Eu vi



Eu vi quando o país entrou no coração das trevas e lá ficou por mais de vinte anos. E vi o movimento hippie imaginar que a paz e o amor poderiam reger o mundo, para depois concluir que o sonho tinha acabado. Vi amigos que caíram, foram torturados ou morreram jovens, muito jovens. E o mundo continuou o mesmo, com suas contradições caminhando para a violência sem solução.

Uma geração sem legado num tempo em que a tecnologia diminuiu o tamanho do mundo e o transformou em mercado. Os ventos alísios trouxeram esperanças mas a escuridão do pensamento os bloqueou nascituros. Falou-se em revoluções afogadas e os sonhos que imaginavam a paz foram transformados em pesadelos sombrios.

O homem sonha enquanto vivo. Seus fracassos se dissipam sob a chuva cinzenta das ventanias do inverno. Há sempre o desejo de levantar-se depois das quedas para continuar a marcha na direção de um destino construído pelo acaso, pela direção dos ventos.
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