segunda-feira, 16 de maio de 2016

As sombras



Eram bandos derrotados que voltavam
de batalhas nunca conhecidas
porque foram travadas
em campos nunca revelados.

Doía-nos ver os ferimentos
e o sangue da boca dos meninos,
porque eram meninos que voltavam
cansados como velhos aleijados.

Passaram por nós, ainda hoje estão passando
como sombras ou fantasmas de crianças.
Em nós há de ficar sua lembrança,
a de seus rostos que nunca esqueceremos.

Estes bandos que passaram e passam
tão perto de nós que nos impregnam
com seu cheiro, seu hálito e seu cuspe,
para sempre cercarão nossa memória.

Mesmo que o tempo apague a sua trilha,
eles permanecerão como se fossem estátuas
de pedra, banhadas pelo pranto,
recortadas sobre um céu de chumbo.
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