quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Um ano sombrio


Aproxima-se o fim de um ano em que a palavra crise foi a mais pronunciada. Desde os gregos antigos ela define o momento em que o doente vislumbra a possibilidade da morte ou da sobrevivência. Ficarão por muito tempo as marcas de várias crises. A tragédia dos refugiados aos poucos vai sendo esquecida pelos noticiários mas está presente e vai permanecer como sombra do fracasso da humanidade e dos governos do mundo. Vamos nos acostumando com a violência a nosso lado, como quem vive em países destruídos pela guerra.

A degola de prisioneiros exibida na rede mundial, os desastres naturais e os provocados pelo homem, lama tóxica destruindo pequenos vilarejos do interior, o tiroteio nas ruas da cidade com suas balas perdidas. São detalhes de um grande cenário  de horror. Não dá para crer na beleza da aurora nem no repouso anunciado pelo crepúsculo de cores esmaecidas.

Enquanto os negociantes decoram suas lojas com símbolos do Natal, há um latejar de sangue nas fímbrias do dia e um olhar sem ternura nos semblantes. Procuram-se sinais de sorriso no rosto dos passantes mas se vê traços de ódio. Alguém me disse que existem duas cidades no mundo em que as pessoas têm medo das crianças. Uma seria o Cairo, a outra é o Rio. A passagem do ano traz consigo o despertar de esperanças.Precisamos descobrir onde residem as esperanças e então, como escreveu Maiakovski, tomar emprestada alguma alegria ao futuro.


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