terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Tempo


As lembranças mais distantes repousam enterradas no inconsciente, assim como os traços de antigas civilizações jazem sob camadas de terra e de escombros. Há surpresas nas escavações quando aparecem os restos de povos que ali habitaram e pouco deixaram da sua passagem e de sua memória. O que foi riqueza e pompa em certa época deixou apenas poeira, utensílios quebrados, esqueletos, sinais dispersos.

As civilizações extintas deixam pouco entrever da vida diária das pessoas que morreram junto com o seu tempo. As angústias do homem que viveu há cinco mil anos pouco se distanciam daquelas do século em que vivemos: sobrevivência, surpresas do mundo, descobertas, emoções dispersas, o sentimento amoroso, a desesperada procura de Deus.


Debaixo das camadas das eras repousam os amantes e os guerreiros, os pensadores, o generoso e o bom. Pouco ficou da sua passagem e muitas vezes desapareceu também a civilização em que viveram, sua cidade, sua casa e as circunstâncias da sua vida. É curioso como repetimos hoje o que eles foram e compartilhamos o seu destino, estes fantasmas esquecidos que habitam nossos sonhos e povoam as alucinações.
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