segunda-feira, 10 de março de 2014

Sem horizonte

Nos quadros antigos da cidade, está sempre retratada a presença de alguém a beira-mar, com o olhar perdido sobre o oceano. O Rio é uma urbe marítima e assim foi concebida, mas em algum momento começou a perder sua identidade. Os aterros e construções exóticas afastam cada vez mais o mar e sua brisa.

Vai-se de Copacabana ao centro sem se notar a presença das águas. Uma muralha de quiosques, arenas esportivas, palcos e estranhos alambrados roubam a paisagem que sempre emoldurou a cidade. Aos poucos vão escondendo o horizonte sem fim que outrora trouxe ao homem a sensação de liberdade e o sentimento de um olhar sem limites.


Hoje, a manhã começou disseminando claridade sobre os edifícios, invadindo a copa das árvores plantadas sobre as calçadas. Raros passantes, poucos automóveis, um sorveteiro atravessa a rua e alguns atletas se dirigem à Avenida Atlântica para começarem a correr, caminhar ou apenas para ver o mar. Mas um dia não existirá o mar.
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