sexta-feira, 14 de março de 2014

Memória

Quando revisitamos alguns lugares da infância, eles nos parecem menores, bem mais acanhados do que nossa memória havia registrado.  Reaparecem despidos da majestade que nossa lembrança lhes atribuia. Isso ocorre também com quase tudo que fantasiamos: paisagens, pessoas, incidentes e percalços. Foram menores, na realidade, quase insignificantes diante do que provocaram de medo ou deslumbramento.

No legado da nossa miséria, a bela metáfora de Braz Cubas, segundo Machado de Assis, estão misturados fatos vividos sem a certeza de que foram mesmo daquela forma que ficou presente na memória. Revisitados, reaparecem como lembranças ínfimas.


A memória é a matéria que nos resta dos  conflitos. Traz consigo também a dúvida de se o que foi vivido foi real, reflexo de sonho ou apenas a surpresa de uma criança diante do espanto e das descobertas da vida.
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