quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

No taxi

Entro no taxi e o motorista diz que sou o primeiro passageiro em mais de três horas. Rodava o tempo todo vazio, revoltado, pois ao fim do dia teria de pagar a diária. Às vezes trabalhava o dia inteiro só para pagar essa diária. E os passageiros rareavam.

Depois disse que era formado em administração de empresas, tinha sido gerente de banco até ser demitido, há dois anos. Não tinha conseguido se recolocar. E o trânsito da cidade estava cada dia pior, miserável, desumano.


Tem uma filha portadora de deficiência, ela precisa de tratamento e cuidados e os hospitais públicos estão abandonados, nem médico bate ponto neles. E disse que às vezes dá vontade de quebrar tudo. Pedi que parasse na esquina, paguei acima do que marcava o taxímetro, entrei no botequim e pedi uma bebida forte.
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