domingo, 12 de janeiro de 2014

Delírios

Topo com Marquinhos fazendo um discurso no meio da confusão da Barata Ribeiro. Em sua loucura, com sua linguagem indecifrável, ele gesticula e olha fixamente, com expressão muito grave, para algum ponto no horizonte dos edifícios. Acho que consigo compreender algo do que dizia: ”...então eu disse pra ela!...”

Continuo a andar sem saber o que ele teria dito para ela. No seu delírio, falava com alguém, contava algo importante e não se dava conta de nada em seu entorno. Não estava ali, na calçada movimentada  de uma das principais ruas de Copacabana. Refugiava-se na sua vida paralela, movimentada e dura.


Continuei minha caminhada, a essa altura pensando que todos temos nosso mundo interior de fantasias, temores, fantasmas, euforia e de caos que só se revela nos sonhos. Um limite muito tênue nos impede de viver, como Marquinhos, o lado escuro que nega a lucidez do pensamento, que é outra fantasia a nos habitar na turbulenta relação com o mundo tal qual o imaginamos.
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