domingo, 4 de setembro de 2016

Finitude



O sentimento marcante da vida não é a aspiração do infinito mas, ao contrário, a sensação de que todas as coisas são finitas, fugidias, transitórias. Nada existe para durar, pois a vida é simplesmente um momento antecedendo a morte. E não haverá recomeço ou antevisão de nuvens acompanhadas de ventos alísios de esperança. A eternidade é um momento fugaz na embriaguez das almas.

Nascemos para completar um ciclo de reprodução da espécie. A existência tem uma data de vencimento que nós próprios ignoramos. E somos lançados na vida incapazes de andar, falar e enxergar com clareza, dependentes e perplexos. Nossa primeira manifestação é o pranto.


Somos uma espécie de macaco nu, feroz, que destrói a si mesma e conseguiu o domínio da tecnologia para dominar o mundo e escravizar as outras espécies. Nascemos para a brutalidade, para a divisão entre classes e a destruição do planeta que habitamos. Não há saída para o homem, há somente a perspectiva e a incompreensão da sua própria finitude.
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