quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Um número



I

Um poema sem metáforas agudas,
com náusea e tédio, indefinido,
capaz de enxergar nos próprios versos
o mistério existente nas palavras.
Perseguição de formas anacrônicas,
soneto estéril, mutações de ritmo
cuspindo imagens, nexos opacos
ferindo inutilmente a folha branca.
Dilacerados sons. Ecos de outros
sons plantados na memória
estiolada de aflições antigas.
Marcado a indecisão, pleno
de vocábulos criados nos escombros
de palavras mudas.

II

Um número cercado
pelos lados, na fronteira
existente nestas cercanias
de tempo e de lugar, de desejos
para sempre reprimidos.
Existirá neste momento,
na exata procura dos limites
onde se encontra a febre
das sezões enfurecidas,
quando as almas das crianças
são habitações do medo.


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