domingo, 25 de setembro de 2016

Morte em Las Vegas




Lembrei-me de um filme de baixo orçamento que surpreendeu Hollywood em 1995. Rendeu um Oscar a Nicholas Cage e deu novo impulso à carreira de Elizabeth Shue, que foi também indicada ao Oscar de melhor atriz. Leaving Las Vegas ganhou outros prêmios da crítica especializada e em diversos festivais de cinema nos EUA e pelo mundo afora. Naquele tempo, Cage cuidava melhor de sua carreira e o diretor Mike Figgis conseguiu dele uma interpretação que só costuma ser alcançada pelos grandes atores.

Tanto ele, Cage, quanto Elizabeth Shue tiraram de seus personagens toda carga de humanidade, frustração, desespero e perplexidade existentes no mundo emocional de um alcóolatra no caminho do suicídio, disposto a beber até morrer, e de uma prostituta que busca compensar sua solidão através de um amor que ela mesma sabia ser condenado ao fracasso.

Mike Figgis é também o responsável pela trilha sonora que transmite admiravelmente a atmosfera de Las Vegas, cidade artificial construída no meio do deserto, cenário perfeito para os últimos dias de um homem que tem pressa para chegar ao encontro com seu destino trágico. E para a história de uma mulher marginalizada e humilhada até os limites da degradação que descobre na solidariedade do amor um caminho que pode levá-la a se redimir. Las Vegas, cidade do divertimento e do vício, oferece o contraste adequado para uma das mais belas e tristes histórias de amor contadas pelo cinema.
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