segunda-feira, 28 de março de 2016

Outono



 
O outono ainda não disse a que veio mas o calor deixou de ser tão agressivo e humilhante. Copacabana logo começará a hibernar até que novos turistas, como um bando de andorinhas, comecem a chegar anunciando o próximo verão. O bairro vive com intensidade as estações mais quentes, quando regurgita e se agita com as multidões em busca do mar e de algum tempo de prazer.
Na expectativa das Olimpíadas, ainda se respira certa tranquilidade. Os botequins enchem-se nos fins de semana mas não se vê o azáfama constante, as enormes mulheres seminuas de nádegas imensas, as lindas adolescentes que desfilam na volta da praia. Estrangeiros louros ainda passam de mãos entrelaçadas com suas namoradas negras, romances que os surpreenderam na viagem em um país dificil de compreender.
Marquinhos, o maluco da vizinhança, passou ouvindo seu rádio que não toca nada. Dirigia-se com pressa a lugar nenhum, olhava fixamente o horizonte, ignorava quem passava a seu lado. Sente como todos que uma vez mais Copacabana inicia o recomeço do seu eterno ciclo de cada ano. Com seus contrastes, contradições e a violência saturada de ódio contaminando o ar.
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