quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O bloco


Da mesa do botequim, assisto à passagem do bloco. Não é um desses grandes em que desfilam milhares de pessoas a cada fim de semana nestes dias que antecedem o carnaval. Nem chega a interromper o trânsito da Barata Ribeiro, vai pelo canto da rua, não tem licença da prefeitura nem belas mulheres seminuas atraindo fotógrafos de jornal e câmeras da televisão.

Segue atrás de uma velha kombi com o som de marchinhas antigas, formado de foliões que exibem sua pobreza nos biquinis descorados e chinelos sem cor. Desceram os morros de Copacabana, improvisaram o bloco e lá vão eles anunciando que o carnaval é também do povo.


No que seria a comissão de frente, um grupo que se destaca na formação caótica, vejo um rosto conhecido que dança animado na companhia de uma mulata bonita que ele abraça pela cintura. Costumo vê-lo no sinal da Rua Princesa Isabel. Lá, ele pede dinheiro aos motoristas e quase não consegue andar. Seus movimentos são os de quem é portador de paralisia cerebral mas costuma também aparecer com sintomas diferentes de outras deficiências. O bloco lhe oferece cura temporária e o direito de também amar e se divertir.
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