quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Álcool


A compulsão de fugir da realidade fez o homem descobrir as substâncias que o conduzem à embriaguês, ao sonho e a novas fronteiras aparentes da percepção. Desde a mais remota antiguidade este desejo de fuga tem significado prazer e danação, compensação da angústia e também o mergulho cada vez mais profundo na angústia do desespero. Belos talentos, vidas, foram assim desperdiçados.

Viver o mundo como ele é na realidade, sem fantasia ou possibilidade de fuga seria uma experiência insuportável para algumas almas fragilizadas. O álcool - a mais universal das drogas - e outras substâncias tóxicas seriam então o remédio para a dor do mundo? Mas todas elas conduzem também ao inferno particular e muitas vezes a uma condenação definitiva.


Muitos grandes escritores beberam demasiadamente. Alguns poucos não demonstravam os efeitos do álcool, como Hemingway, outros caiam bêbados na rua, como Poe, ou ficavam socialmente inconvenientes, como Dylan. Mas todos evitavam beber enquanto trabalhavam. George Sand disse que não imaginava Byron, bêbado, escrevendo seus belos versos. A inspiração poderia vir no meio de uma bebedeira ou no silêncio da floresta. Mas no momento de dar forma ao pensamento, é preciso estar na posse absoluta de si mesmo.
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