sábado, 29 de junho de 2013

Uma história sem fim

Há muitos anos, quando eu tinha quinze anos, comecei a escrever uma história que não deveria ter fim. Era sobre um homem que olhava a própria vida como um palco cujas personagens interpretavam diferentes papeis e ele assistia. Não podia interferir na trama embora se tratasse de sua vida e as personagens não passassem dos tipos diferentes que ele próprio representava.

Tempos depois, acho que eu já tinha trinta anos, retomei a história que não terminara e vi que o protagonista continuava assistindo o desfilar daquelas personagens, cada vez mais estranhas. Mas eram parecidas com ele próprio e ele não queria aceitar que aqueles tipos eram apenas a representação de si mesmo.

Faz alguns dias achei a história que eu não terminara perdida numa gaveta e o homem havia mudado, na tentativa de incorporar os tipos que durante tanto tempo desfilavam diante de si. As personagens estavam diferentes, haviam envelhecido e recusavam-se a continuar interpretando as faces diversas de quem as olhava, não conseguia entendê-las e mesmo assim procurava dirigi-las.


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