segunda-feira, 3 de junho de 2013

Marilyn


A malícia dos seus olhos azuis contrastava com o ar fingido, inocente, num corpo de beleza esculpida em sensualidade. Sem ajuda de academias de ginástica ou intervenções plásticas, apenas um toque de movimentos nos quais chamava atenção a harmonia dos gestos. Na expressão do rosto, uma falsa alienação escondia a solidão que acabaria por mata-la.

O lugar comum da infância pobre e triste foi apenas exploração da mídia que lança mão das mais elementares emoções humanas. Ela manipulava as pessoas, principalmente homens, e procurou se compensar intelectualizando-se, a ponto de aceitar um casamento com Arthur Miller, um dos mais brilhantes intelectuais do seu tempo mas que, nela, só espelhou o próprio sofrimento.

Ernesto Cardenal, o poeta e padre da Nicarágua, talvez tenha sido quem melhor compreendeu a crise que a levou ao suicídio num poema escrito no mesmo dia da sua morte:

“Foi
como alguém que discou o número da única voz amiga
e ouve apenas a voz de uma gravação dizendo: WRONG NUMBER
Ou como alguém que ferido pelos gangsters
estende a mão para um telefone desligado.
Senhor
quem quer que tenha sido a quem ela chamava
e não chamou (talvez ninguém
ou era Alguém cujo número não se encontra na Lista de Los Angeles)
atende Tu ao telefone.”


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