quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Malbec


A maneira mais inteligente de criar uma identidade é ser o que os outros acham que nós somos, parece ser a estratégia dos produtores de vinho de Cahors. Depois de perder mercado para os argentinos, que desde logo chamaram a uva típica de Cahors pelo seu antigo nome – malbec – os produtores locais fizeram o mesmo e deixaram de chama-la “auxerrois”.

Uma nova estratégia de marketing encontra-se em andamento. Depois de rebatizarem o vinho, foram lançados os tipos branco e rosé, para acompanhar o gosto dos jovens. Degustações em feiras e eventos, folhetaria, cartazes e redesenho de rótulos procuram reposicionar o velho vinho da região que se deu tão bem na terra argentina.

O trunfo de Cahors na competição com a Argentina, que hoje é o primeiro produtor mundial, é lembrar que foi em seu território que surgiram as plantações da uva, ainda no tempo em que os romanos dominavam o país gaulês. No começo, era apenas uma entre as várias espécies de bordeaux. Teve um período de glória, depois caiu no esquecimento. Agora, ressuscita e quer deixar no passado que malbec significou mal bec, ou seja, mal para o bico, ruim para o paladar. 
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